quinta-feira, 12 de junho de 2008

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.



Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
( enlacemos as mãos )
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nada regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantem a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e caricias,
Mas mais vale estar-mos sentados oa pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadencia.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis...às três horas e vinte minutos da tarde de 13/6/1888, nascia em Lisboa, capital portuguesa, Fernando Pessoa.O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do nº4 do Largo de São Carlos, em frente da òpera de Lisboa.Seu pai era funcionário público do Ministério da Justiça e critico musical do Diário de Noticias, Joaquim de Seabra Pessoa, e sua mãe D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, natural da Ilha Terceira, Açores...

Fernando Pessoa, 13 / 6 / 1888, Lisboa


17 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Sem dúvida, o português foi uma língua inventada para a poesia, e além disso Pessoa nâo tem igual, é insuperável.

A beira do rio é evocador dessa Lisboa, cidade que levo na minha memória emocional, mas esqueci tantas coisas... Infelizmente a memória é fraca mas às vezes palavras como estas de Pessoa levam-me ao passado.

Obrigada e disculpem pelo meu português, que lamentavelmente apenas falo, para ser sincera nao falo português há mais de dez anos, quando visitei Lisboa pela última vez em 1996.

Um beijinho.

12 de junho de 2008 às 10:39  
Blogger Ladie Therizein, Count'Tesse of Suffolke disse...

Babel e Sião

Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quando nela passei.
Ali o rio corrente
De meus olhos foi manado,
E tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali lembranças contentes
Na alma se representaram,
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes
Como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
Co rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado
Não é gosto, mas é mágoa.
........
Ditoso quem se partir
Para ti, terra excelente.
Tão justo e tão penitente
Que, depois de a ti subir
Lá descanse eternamente.

Luis de Camões...para a Rosa de Santa Isabel...a alma deste cantinho.
baci baci baci...Capri!...

12 de junho de 2008 às 11:01  
Anonymous Anônimo disse...

"Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu."
Fernando Pessoa.
Obrigada pela visita...

12 de junho de 2008 às 13:14  
Blogger Tinta Azul disse...

Vim retribuir a visita e para minha satisfação dou logo de caras com Fernando Pessoa.
:)

12 de junho de 2008 às 18:19  
Blogger Dany disse...

oi...vi agora o teu comentário mas nao o percebi muito bem!!! =)
podias explicar...
beiju

13 de junho de 2008 às 11:03  
Blogger Dany disse...

oi...vi agora o teu comentário mas nao o percebi muito bem!!! =)
podias explicar...
beiju

13 de junho de 2008 às 11:03  
Blogger ROSA E OLIVIER disse...

The song of Wandering Aengus

I went out to the hazel wood,
Because a fire was in my head,
And cut and peeled a hazel wand,
And hooked a berry to a thread;....
William Butler Yeats, born in Dublin on June 13, 1865...para ele...um grande abraço...porque os poetas não morrem!

13 de junho de 2008 às 13:14  
Blogger Ana Diogo disse...

obrigada pelo comentario.. mas como estava em italiano nao percebi nada.. =) mas gostei deste site e das preferencias... adoro Pessoa...

13 de junho de 2008 às 16:59  
Blogger lidle Blog disse...

Il saluto ai week-end a Capri ... Bloggerhouse

13 de junho de 2008 às 17:53  
Anonymous Anônimo disse...

Elegia das águas negras para Che Guevara

A palavra, com tu dizias, chega húmida dos bosques;temos que semeá-la;
chega húmida da terra:temos que defendê-la;
chega com as andotinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé;
cada palavra tua
faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos contigo
no coração em redor do fogo.

Eugénio de Andrade...dedicado a Che Guevara, nasc. a 14/6/1928, em Rosário, Argentina

14 de junho de 2008 às 07:25  
Anonymous Anônimo disse...

CANTO a FIDEL

VAMOS ARDOROSO PROFETA DA ALVORADA
por caminhos longínquos e desconhecidos,
liberar o grande Caimão verde que tanto amas...
Quando soar o primeiro tiro
e na virginal surpresa toda a selva despertar,
lá a teu lado seremos combatentes
tu nos terás.
Quando tua voz proclamar para os quatro ventos,
reforma agrária, justiça, pão e liberdade,
lá, ao teu lado com sotaque idêntico,
tu nos terás


E quando o final da batalha
para a operação de limpeza contra o tirano chegar,
lá, a teu lado, prontos para a última batalha,
tu nos terás.
E se o nosso caminho for bloqueado pelo ferro,
pedimos uma mortalha de lágrimas cubanas
para cobrir nossos ossos guerrilheiros no tr
ãnsito para a história da América.
Nada mais.

14 de junho de 2008 às 14:24  
Anonymous Anônimo disse...

Canto a Fidel...poema de Ernesto Guevara de la Serna "El Che", nasc.14/6/1928, Rosário, Argentina

15 de junho de 2008 às 15:46  
Blogger Maria Fischinger disse...

Un blog muy interesante
Un beso

Maria

16 de junho de 2008 às 10:09  
Blogger Carm disse...

INTIMAR

Embarcació
que és llar;
Constel·lació
que és teulada;
Tripulant
que és company;
Seducció que és futur.

Vairegem
harmoniosos.

I la mar s'embrava
i tu m'eleves.

Desxifrant-nos
seduïts per
la remor
tàctil
d'un abraç
blau marí...

18 de junho de 2008 às 12:26  
Blogger Alizarin Art disse...

Meraviglioso.
M@

21 de junho de 2008 às 15:23  
Blogger emy díaz disse...

Pertenezco, sin embargo, a esa especie de hombres que esstán siempre al margen de aquello a lo que pertenecen , no ven sólo la multitud de la que son, sino también los grandes espacios que hay al lado.

LIBRO DEL DESASOSIEGO
FERNANDO PESSOA

un abrazo

22 de junho de 2008 às 14:43  
Blogger cheguevara disse...

lo encontré al Ché.
CHE

16 de setembro de 2008 às 18:52  

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